Via-se que tinha prazer em guiar os quatro corpos ressacados que éramos através das linhas de metro. Examinava os mapas com cuidado, meticulosamente, sempre com aquele ar de quem se encontra perdido. Nós comentávamos nos períodos de espera nas estações, que ele se perdera em puto, nunca mais se encontrara. Estar em Lisboa ou em Berlim não apresentava propriamente uma grande diferença. Eu ripostava dizendo que, para ele, o grande problema eram mesmo os mapas. Os mapas podem ser uma óptima forma de situar um homem mas também uma óptima forma de o perder. A realidade é esquematizada. Há pessoas que não se sujeitam a esquematizações. O Leite é assim, poderia descrevê-lo vinte vezes e o resultado sair sempre diferente. Isto não resulta só de ser alguém que eu vejo quase diariamente, resulta sim, no facto de ser alguém demasiado abrangente. Uma descrição é uma esquematização. Vai sempre surtir uma certa falsidade. Isto pode ser colmatado com os espaços deixados em branco, com as interrogações que se põem ao leitor.
Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012
Berlin Story II
O ano passado fui a Berlim visitar o Leite. Vieram o Tiago, o Vidigal e o João. Mas esta pequena história não fala sobre nós. Fala sobre dois lugares em Berlim e, como todas as histórias que conto, resulta de uma mistura entre a realidade e a ficção, dado eu ter deixado de discernir o fim de um dos lados do início do outro.
Era sábado em Berlim e sabíamos que seria o nosso último dia antes do regresso a Portugal. O avião partia naquela madrugada e tínhamos decidido não dormir.
Mas estávamos cansados, com o álcool da noite anterior e as pernas a deslocarem-se na cidade. O Leite, o nosso anfitrião, levou-nos ao Mustafas, aquele que lhe haviam vendido como sendo o melhor kebab de Berlim.
Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012
Berlin Story I
Prólogo.
Hoje existem poucos cafés e bares que se equiparem às descrições que deles se lêem nos romances. A cidade actual é uma sociedade que conseguiu envenenar o romantismo. Os cafés maravilhosos de outros tempos são hoje museus, estagnados para que o turista não perca o seu passeio pelo passado (pagando o respectivo preço). Os bares encheram-se de uma massa de vulgaridade. Não uso vulgaridade como uma crítica, é antes uma constatação, uma democratização, já não há lugares proibidos, já não há lugares exclusivos de certos mundos. A mistura traiu-nos. Fomos infectados com uma igualdade aparente.
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012
Música III
Não podia deixar de falar no Sufjan Stevens. Conheci-o com o “The Age of Adz”, epah, e a melhor forma que tenho para descrever o álbum é dizer que tudo parece uma espécie de guerra das estrelas cheia de robôs e máquinas e cenas pneumáticas. Não estou a falar em termos de letras, muitas vezes nem sequer as ouço, mas sim nos sons, na riqueza da coisa. Enfim, o tema “Age of Adz” tem um dos melhores inícios de toda a história da música. Já a “Too Much” tem o melhor final de sempre, uma curtição, uma trip, uma cena genial.
Penso que bastava isto para o Sufjan levar a coroa este ano. Mas depois de ouvir este disco, tive de ir procurar outro, o “Illinois” de 2005, também óptimo, como comprovam as músicas “Chicago”, “Come On! Feel The Illinoise!”, “The Man of Metropolis Steals Our Hearts” ou “The Tallest Man, The Broadest Shoulders”.
Podendo-se assim afirmar que, este ano, a coroa é dupla.
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
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