terça-feira, 16 de outubro de 2012

À Deriva IV


O barco parecia parte do total.
Era um edifício no meio dos outros edifícios.
Era uma parte somada às outras partes da cidade.
Os arquitectos entraram. Todos.
O barco partiu.
A cidade manteve-se cidade.
O barco tornou-se um mundo à parte.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

À Deriva III


Um dia, os arquitectos mais conhecidos da europa disseram: «vamos debater a cidade».
Todos concordaram.
Que cidade escolheriam para dar lugar ao debate?
Todos pensaram. Ninguém reuniu consenso.
As cidades europeias decaíam.
Um deles falou: «a era da máquina».
Todos concordaram.
Outro acrescentou: «e se fosse num barco?».
Reuniu aplausos. Reuniu consensos.
A lógica da máquina traria lógica à cidade.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

À Deriva II


O arquitecto deu como exemplo um escritor.
«O escritor escreve o seu livro.
Passa a viver no meio das suas palavras.
Um dia, questiona-se sobre os contornos do livro.
Não os vê por estar entre eles.
Tomou parte do total.»
As partes desconhecem o seu total.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

À Deriva I


Perguntaram a um arquitecto sobre cidade.
Ele respondeu com o mundo: O mundo é uma cidade.
Mas mundo nem sempre significou todo o mundo.