sexta-feira, 12 de outubro de 2012

À Deriva II


O arquitecto deu como exemplo um escritor.
«O escritor escreve o seu livro.
Passa a viver no meio das suas palavras.
Um dia, questiona-se sobre os contornos do livro.
Não os vê por estar entre eles.
Tomou parte do total.»
As partes desconhecem o seu total.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

À Deriva I


Perguntaram a um arquitecto sobre cidade.
Ele respondeu com o mundo: O mundo é uma cidade.
Mas mundo nem sempre significou todo o mundo.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão VI


O professor perdera um braço.
A ferida perdera o rumo.
O professor ia morrer na mesma.
Nunca mais tornaria a sarar.
Dispersão é o fim das coisas sem rumo.
O cancro era todo o seu corpo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão V


«Cancro». Disse o médico. A ferida degenerou.
Na televisão, a multidão dispersava. Nada sobrou senão a destruição.
«Vai perder o braço».
«Não há outro rumo?».
«Este é o rumo a tomar».
«O único?».
«Há que ser objectivo. Não se queira dispersar».