Cenas, Coisas e Tal
o blog de Francisco Ribeiro Rosa
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Anatomia da Dispersão VI
O professor perdera um braço.
A ferida perdera o rumo.
O professor ia morrer na mesma.
Nunca mais tornaria a sarar.
Dispersão é o fim das coisas sem rumo.
O cancro era todo o seu corpo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Anatomia da Dispersão V
«Cancro». Disse o médico. A ferida degenerou.
Na televisão, a multidão dispersava. Nada sobrou senão a destruição.
«Vai perder o braço».
«Não há outro rumo?».
«Este é o rumo a tomar».
«O único?».
«Há que ser objectivo. Não se queira dispersar».
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Anatomia da Dispersão IV
Como se chama uma ferida que esqueceu o sarar?
Talvez ferida sem rumo.
(As coisas sem rumo tendem a se dispersar)
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Anatomia da Dispersão III
A ferida morreu. Mas existia a cicatriz.
Uma cicatriz é a forma física da memória.
O homem lembrava-se e coçava. Coçava a memória.
O tempo é circular.
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