terça-feira, 9 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão VI


O professor perdera um braço.
A ferida perdera o rumo.
O professor ia morrer na mesma.
Nunca mais tornaria a sarar.
Dispersão é o fim das coisas sem rumo.
O cancro era todo o seu corpo.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão V


«Cancro». Disse o médico. A ferida degenerou.
Na televisão, a multidão dispersava. Nada sobrou senão a destruição.
«Vai perder o braço».
«Não há outro rumo?».
«Este é o rumo a tomar».
«O único?».
«Há que ser objectivo. Não se queira dispersar».

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão IV



Como se chama uma ferida que esqueceu o sarar?
Talvez ferida sem rumo.
(As coisas sem rumo tendem a se dispersar)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão III


A ferida morreu. Mas existia a cicatriz.
Uma cicatriz é a forma física da memória.
O homem lembrava-se e coçava. Coçava a memória.
O tempo é circular.