quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão III


A ferida morreu. Mas existia a cicatriz.
Uma cicatriz é a forma física da memória.
O homem lembrava-se e coçava. Coçava a memória.
O tempo é circular.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão II


O professor olhava para o braço. Esfolara-o. Transformara-se em ferida. Infectara.
O professor limpou-o com água oxigenada. Cobriu-o de iodo.
O pus subentende uma guerra.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Anatomia da Dispersão I


Um professor dava aulas de educação física. O professor tentava agrupar os alunos. Mas eles estavam sempre a fugir.
No meio da dispersão, esfolou o braço numa parede.
Muitos miúdos.
Muito afastados.
Muito insubordinados.
Como se controla o muito?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Riot III


Arrancavam as portas das casas. Partiam bancos e cadeiras. Destruíam montras e cafés.
Os tiros surgiram de um lugar invisível.
Mas a multidão não se afastou.
Um homem sucumbe facilmente. Mas como se mata uma multidão?