A presidente aderiu ao facebook. Era a voz de todos. Podia agora aceitar todos como amigos. Ver que fotografias tinham. Que comentários faziam. Que causas apoiavam.
Queria conhecer as vozes que a compunham.
Lembrou-se do seu discurso que não era seu. Tinha a aplicação do facebook no telemóvel. Clicou “upload”. Carregou o discurso para a sua página.
Depois, guardou o telemóvel, no bolso de trás das calças. Os assessores chamavam-na. Ela pediu um momento. Tinha de ir à casa de banho. Não o disse assim. Foi vaga. “Esperem só um pouco, por favor”. Entrou na casa de banho. Dirigiu-se a uma das cabines. Fechou a porta. Desapertou as calças. Puxou-as para baixo.
Ouviu um barulho, na água da retrete.
A presidente, de calças e cuecas para baixo, via o seu telemóvel afundar-se, com o discurso, os amigos, os likes e os comentários e os likes nos comentários.
A verdade, era uma mentira afundando-se na merda da água.
Sim, a poesia tem os seus momentos.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
A Social World on the Edge of Oblivion II
Os pc’s deixaram de funcionar.
Acabaram-se os comandos, os cd’s, os dvd’s, blue-ray’s, downloads, patches, keygens,… A energia não é um brinquedo.
We stand on the Edge of Oblivion.
Então as crianças trouxeram os pc’s para a rua, atiraram-nos ao chão, partiram-nos, pontapearam-nos. Desfizeram as máquinas.
A destruição é o prazer derradeiro.
Acabaram-se os comandos, os cd’s, os dvd’s, blue-ray’s, downloads, patches, keygens,… A energia não é um brinquedo.
We stand on the Edge of Oblivion.
Então as crianças trouxeram os pc’s para a rua, atiraram-nos ao chão, partiram-nos, pontapearam-nos. Desfizeram as máquinas.
A destruição é o prazer derradeiro.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
O Discurso III
A presidente precisou de um momento só. Mas sabia as opções que tomara.
A sua vida era as pessoas.
A sua solidão era um homem: O seu marido.
Tentou explicar-lhe que era uma mulher. Que o amava. Mas ele não acreditou. A sua verdade deixara de ser credível.
A presidente ligou para o seu fantasma. Encomendou-lhe um discurso. Decorou-o. Tornou-o seu. Moldou nele a sua própria humanidade.
Salvou o seu casamento.
A sua vida era as pessoas.
A sua solidão era um homem: O seu marido.
Tentou explicar-lhe que era uma mulher. Que o amava. Mas ele não acreditou. A sua verdade deixara de ser credível.
A presidente ligou para o seu fantasma. Encomendou-lhe um discurso. Decorou-o. Tornou-o seu. Moldou nele a sua própria humanidade.
Salvou o seu casamento.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Cidade Obediente VII
Vagueava e era infeliz. Sofria como nunca quisera sofrer. Perdia forças. O tempo deixara de se dividir. Dormitava permanentemente.
Quando deixou de conseguir andar, pensou na vida.
Todos fazem os mesmos caminhos. Todos vão aos mesmos sítios. Todos regressam da mesma maneira Abandonaram-se os interstícios. Deixou-se de vaguear.
O objectivo não era a verdadeira doença.
Mas tinha o odor anti-séptico da imunidade.
Quando deixou de conseguir andar, pensou na vida.
Todos fazem os mesmos caminhos. Todos vão aos mesmos sítios. Todos regressam da mesma maneira Abandonaram-se os interstícios. Deixou-se de vaguear.
O objectivo não era a verdadeira doença.
Mas tinha o odor anti-séptico da imunidade.
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