sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A Social World on the Edge of Oblivion II

Os pc’s deixaram de funcionar.
Acabaram-se os comandos, os cd’s, os dvd’s, blue-ray’s, downloads, patches, keygens,… A energia não é um brinquedo.

We stand on the Edge of Oblivion.

Então as crianças trouxeram os pc’s para a rua, atiraram-nos ao chão, partiram-nos, pontapearam-nos. Desfizeram as máquinas.
A destruição é o prazer derradeiro.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Discurso III

A presidente precisou de um momento só. Mas sabia as opções que tomara.
A sua vida era as pessoas.
A sua solidão era um homem: O seu marido.
Tentou explicar-lhe que era uma mulher. Que o amava. Mas ele não acreditou. A sua verdade deixara de ser credível.
A presidente ligou para o seu fantasma. Encomendou-lhe um discurso. Decorou-o. Tornou-o seu. Moldou nele a sua própria humanidade.
Salvou o seu casamento.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Cidade Obediente VII

Vagueava e era infeliz. Sofria como nunca quisera sofrer. Perdia forças. O tempo deixara de se dividir. Dormitava permanentemente.

Quando deixou de conseguir andar, pensou na vida.
Todos fazem os mesmos caminhos. Todos vão aos mesmos sítios. Todos regressam da mesma maneira Abandonaram-se os interstícios. Deixou-se de vaguear.

O objectivo não era a verdadeira doença.
Mas tinha o odor anti-séptico da imunidade.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

The spectacular is of very little use in the field of human habitat* IV

Entrou dentro de casa. Pousou a sua guitarra. Jantou calado. A sua guitarra no canto. Viu televisão sem som. A guitarra calada. Deitou-se.
Ouvia os seus vizinhos.
Conversavam através das paredes finas.
Confessavam coisas seguras, a dois, protegidos pela casa.
Ele ouvia tudo.
Mas ninguém o ouviria.