Gorda, suada e pobre. Ela regressa a casa. Não chove, mas carrega na mesma o guarda-chuva, porque lhe compete carregar o peso da incógnita.
Chega ao muro que fora amarelo. Vê que muda, outra vez. Vê um homem, a pintar o muro, a escrever no muro. Vê o balde de tinta, o amplo pincel e vê que ele não lhe liga.
A gorda ergue o guarda-chuva e com ele, bate no homem.
O homem, a princípio não reage, surpreso. Depois riposta. Prega-lhe um murro. Ela cai, tropeça no balde, aterra sobre a tinta.
Regressa a casa. Carregada, suja, magoada, pintada, suada, gorda, pobre e miserável. Ridícula, por algo tão simples como existir.
Pergunta ao marido, “como foi o teu dia?”.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Fantasma no Escritor Fantasma
Ele escrevia apenas palavras. Mas nunca lhes dava uma voz.
Escrevia para os outros o lerem. Alto.
Escrevia para que os textos não fossem seus.
Entregou o discurso à presidente. Foi para casa. Beijou a sua mulher. Jantaram os dois. Luz das velas. Vinho morno. Talvez amor.
De madrugada, na cama, depois de tudo, ele quis conversar. Falou sozinho durante minutos. Ela calou-o.
Às vezes não gostava de o ouvir.
Às vezes não parecia ele.
Escrevia para os outros o lerem. Alto.
Escrevia para que os textos não fossem seus.
Entregou o discurso à presidente. Foi para casa. Beijou a sua mulher. Jantaram os dois. Luz das velas. Vinho morno. Talvez amor.
De madrugada, na cama, depois de tudo, ele quis conversar. Falou sozinho durante minutos. Ela calou-o.
Às vezes não gostava de o ouvir.
Às vezes não parecia ele.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Cidade Obediente IV
Ela passou a ir a pé, para o trabalho.
Chegava atrasada e era ameaçada.
Mesmo assim, saía à hora do almoço, apenas para andar.
À tarde, chegava atrasada.
Depois de mais ameaças, regressava a casa, a pé.
Não encontrava o marido.
Deitava-se e sorria sozinha.
Dormia.
Chegava atrasada e era ameaçada.
Mesmo assim, saía à hora do almoço, apenas para andar.
À tarde, chegava atrasada.
Depois de mais ameaças, regressava a casa, a pé.
Não encontrava o marido.
Deitava-se e sorria sozinha.
Dormia.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
A Social World on the Edge of Oblivion I
We Stand…
As ruas enchem-se com as crianças.
On the Edge of Oblivion.
Já não há brinquedos com que brincar. Os pais desistem num canto. Aos putos resta-lhes agarrar no giz.
We stand on the Edge of Oblivion.
Traçar a recta na rua. Sobre o alcatrão. Desenhar as linhas.
The Edge of Oblivion.
Os velhos vivem os umbrais. As crianças saltam. Esfolam joelhos. O precipício é a rua.
A sirene toca. Os velhos no umbral enchem as suas rugas com marcas da emergência. Os pais desistem encolhidos, sob os sons encarnados. Os miúdos traçam os seus jogos, com o sangue dos joelhos.
We stand on the Edge of Oblivion.
We stand on the Edge of Oblivion.
We stand on the Edge of Oblivion.
As ruas enchem-se com as crianças.
On the Edge of Oblivion.
Já não há brinquedos com que brincar. Os pais desistem num canto. Aos putos resta-lhes agarrar no giz.
We stand on the Edge of Oblivion.
Traçar a recta na rua. Sobre o alcatrão. Desenhar as linhas.
The Edge of Oblivion.
Os velhos vivem os umbrais. As crianças saltam. Esfolam joelhos. O precipício é a rua.
A sirene toca. Os velhos no umbral enchem as suas rugas com marcas da emergência. Os pais desistem encolhidos, sob os sons encarnados. Os miúdos traçam os seus jogos, com o sangue dos joelhos.
We stand on the Edge of Oblivion.
We stand on the Edge of Oblivion.
We stand on the Edge of Oblivion.
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