quarta-feira, 23 de novembro de 2011

The spectacular is of very little use in the field of human habitat* I


A mulher entra em casa. Acende as luzes. As superfícies são planas. Estão limpas. Nada fora do lugar. Os objectos e os espaços compostos por ligas metálicas e plásticos brancos. A mulher não vê nada de errado.
Senta-se.
A janela é ampla, sem cortinas. Fria. A cidade é uma imagem estática. Bonita. Tudo está longe.
A mulher não sabe o que fazer.
O seu refúgio é a escultura. A casa merece ser suja.


* Shadrach Woods

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cidade Sem Sentido



Até ao fim do ano, as Cenas irão publicar um conjunto de textos. Estes vão lidar com formas de habitar a cidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

27. Charles-Édouard Jeanneret e o Fim


Charles-Édouard nadou.
Mas porque escolhera ele nadar?

Pintava de manhã. Projectava arquitectura de tarde.
Era poético, de manhã.
Prático, de tarde.
No meio, naquela hora em que almoçava, o que era?
Um mero corpo. Alimentando-se.

Pintava e falhava de manhã. Projectava e falhava de tarde.
No meio era um mero corpo. Alimentando-se.

Pintava e às vezes nem sabia se falhava, de manhã.
Projectava e às vezes a arquitectura falhava, de tarde.
No meio continuava a ser um mero corpo. Alimentando-se.

Pintava e pintar é falhar, de manhã.
Projectava e a arquitectura é falhar, de tarde.
No meio, um mero corpo. Alimentando-se.

Pintava e falhava, porque arte é só isso: Falhar. De manhã.
Projectava e falhava, arquitectura é isso: Falhar. De tarde.
No meio. Corpo. Alimentando-se.

Falhar é o único caminho para não falhar.
Só não falha quem morre.
Porque morrer é o fim.
O fim é a perfeição.

Charles-Édouard nadou até não aguentar mais.
Morrer assim, era um mero corpo. A falhar.



...wiki...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

26. Star Wars e a destruição


Existe um mundo.
Este mundo é desenvolvido. De forma rápida e extraordinária. Mas, ao mesmo tempo que o mundo se desenvolve, outras coisas se perdem.
Fala-se da poluição, do aquecimento global, do consumo de energia, fala-se dos problemas causados pelo desenvolvimento.
Tudo parece custar uma parte do mundo.

Também o homem, que habita o mundo, se desenvolve e evolui.
Se tudo o que é desenvolvido custa uma parte do mundo, então tudo contém uma pequena parte de destruição. Tudo. Desde os objectos que facilitam mobilidade, aos objectos que salvam vidas. Todos são responsáveis por uma pequena parte da destruição.

Assim, o homem assume isto: destruição.
Esta não é mais uma consequência. Quando já tudo foi construído, resta construir a destruição.
Um objecto de destruição.
Tudo o que fora construído é destruído por esse objecto.

A lógica impõe a questão:
Qual é a função da destruição, quando já nada resta?

Para que a vida torne a ter sentido, os homens tornam a construir.
Fazem-no sobre a única coisa que resta, o objecto que tudo destruiu.
Mas tudo o que é construído parece custar uma parte do objecto. Porque tudo o que é desenvolvido contém uma pequena parte de destruição.
Assim, o objecto padece do seu próprio princípio.

A lógica tornará a impor a mesma questão.