Não fosse a boleia dada pelo diabo e teria, por certo, perdido a morte de Gonzalo. “Agora, já toda a Galiza se pode elevar nas brumas”, disse-me o diabo, que era padre jesuíta, como é óbvio. Foi o mesmo diabo quem, sorrindo, me apresentou toda a mui católica família de Gonzalo, a qual cumprimentei religiosamente.
Finalmente vi Gonzalo, estendido no caixão, e mostrei-lhe a Doménica. O morto respondeu-me, com aquele seu ar mandrião, “essa já eu escrevi deste lado”.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
12. Khan morto e a identidade
Lou sonhou como era morrer sem cicatrizes.
As flores em torno do seu caixão posicionavam-se simétricas. Os bilhetes apresentavam condolências. Vinham de vários ateliers de arquitectura. Lia-se neles: “para o nosso colaborador”; “para o nosso antigo colaborador”; “para o sr. arquitecto”. A sua esposa, porque era assim que toda a gente se referia à sua esposa, pagou o funeral com o dinheiro que haviam poupado. E não chorava. A vida é assim, ela aceitava-a.
Um dia, Lou sonhou como era morrer sem cicatrizes: era confortável.
Então acordou, pegou no seu bilhete de identidade e riscou-o: riscos sobre o seu nome, riscos sobre a sua morada.
O seu nome eram as cicatrizes.
A sua morada eram as cicatrizes.
A sua identidade…
...e foi trabalhar.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
11. Pêro Covilhã e a identidade
Cumpriu os rituais todos. Ninguém nele notou. Saiu da cidade santa.
Só quando já não via Meca, se lembrou: não sabia quem era.
Não se importou. Imaginou uma espada e um reino longínquo e misterioso.
Partiu e todos os historiadores trataram de o saber.
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Só quando já não via Meca, se lembrou: não sabia quem era.
Não se importou. Imaginou uma espada e um reino longínquo e misterioso.
Partiu e todos os historiadores trataram de o saber.
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011
10. Pratt e o trabalho
O homem foi morto mesmo em frente a Hugo. Depois de o fazer, o assassino olhou para Hugo, era teu amigo? Hugo pintava e encolheu os ombros. O assassino sorriu e disse que gostava dele. Ofereceu-lhe boleia e nessa noite beberam uns copos. O resto da semana, Hugo trabalhou.
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