A mão tremia-lhe porque a mão é uma voz. O fumo, de um cigarro, oculta. Não é mais que uma neblina. É português, e os portugueses querem sempre ocultar o incompreensível, para lá do nevoeiro. As palavras são sons cheios de anos. Arrasta a voz da mesma forma que arrasta uma recta. A mão treme e a recta já não é perfeita. Mas não é a perfeição feita de imperfeições? A voz que diga que sim, que não, que diga o que quiser. Por detrás do fumo, continua a mão.
Tremer é apenas algo mais.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
04. Dora e a fome
Na fotografia só estava ele e o cão. Ele, acabado de sair da água, de fato e prancha na mão. O cão, depois de esperar, ao seu lado, a correr.
Mas, depois da fotografia, ele subiu a estrada até à carrinha. Tirou o fato. Limpou-se a uma toalha coçada. Deitou-se e o cão ganiu. Dora mandou-o calar. Tinha fome. Mas há imagens que são alimento.
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Mas, depois da fotografia, ele subiu a estrada até à carrinha. Tirou o fato. Limpou-se a uma toalha coçada. Deitou-se e o cão ganiu. Dora mandou-o calar. Tinha fome. Mas há imagens que são alimento.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
03. Bolaño e os Sonhos
Encontrei o Roberto e ele era uma estrela de rock. Segurava um cigarro e, como todos os mortos, tentava parecer uma fotografia. Disse-me.
- Mais importante que foder, é ver o Mário de Sá-Carneiro foder.
Nessa noite, segui pelos caminhos vicinais.
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- Mais importante que foder, é ver o Mário de Sá-Carneiro foder.
Nessa noite, segui pelos caminhos vicinais.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
02. Hemingway e o Adeus às Armas
Ernest pensava no futuro:
Um homem sem pernas descobre que consegue viver, embora viva sem pernas.
Para avançar não são necessárias pernas. Avançar não é uma questão motora.
Ernest pensava na lógica:
Um homem sem vontade de viver descobre que consegue viver, embora viva sem vontade.
Mas isso eram demasiadas suposições e Ernest era um tipo real. Imaginar era avançar e ele não sabia imaginar.
Então usou as pernas e escreveu um livro sobre recuos. No fim, não lhe restava nada.
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Um homem sem pernas descobre que consegue viver, embora viva sem pernas.
Para avançar não são necessárias pernas. Avançar não é uma questão motora.
Ernest pensava na lógica:
Um homem sem vontade de viver descobre que consegue viver, embora viva sem vontade.
Mas isso eram demasiadas suposições e Ernest era um tipo real. Imaginar era avançar e ele não sabia imaginar.
Então usou as pernas e escreveu um livro sobre recuos. No fim, não lhe restava nada.
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